”(…) Entre lençóis se entendem. Entre lençóis se conhecem. Entre lençóis se entregam. Entre lençóis se apaixonam.”
Na exatidão dos corpos, ele a conhecia, ele passava a conhecer-la. Seu corpo, seu cheiro. Sua pele, cada traço. Ele a conhecia. Um mapa do tesouro é o que parecia. Seu corpo escondia caminhos e guardava tesouros. Os gemidos, vindouros de lábios entreabertos, eram os melhores. O estimulava, o excitava. Estremecia-o.
Voracidade. Eles eram vorazes. Lascivos, cobiçosos.
Quem eram eles, masoquistas? Exploradores do prazer e dor.
Quem eram?
Brutos e servos da paixão e do amor avassalado.
Loucura, insanidade. Eles se destratavam, se machucavam.
Brincavam com o fogo, eles se queimavam. Era como carne viva. Seu toque era uma dor, mas teimavam em ansiar. Brigas, queimaduras que doíam, mas que entre lençóis se cicatrizavam.
Corpos sedentos. Toques famélicos; lábios sôfregos. Eles se amavam, ali entre lençóis.